Luz

 Que o sol também brilha no mar.

(Atenção aos detalhes)

No silêncio

É tao grande o alívio,

Da ausência de ruído. 

(É importante deixar sedimentar o silêncio)

Ele disse que as noites eram longas

Ela respondeu que as estrelas só se viam no escuro,

E foi fazer um café.

Ele tinha vontades

Que ela não queria receber (é quanto baste). 

Ela quis paz

Ofereceram-lhe o passado nostálgico e trágico.

Ela saiu e bateu com a porta, 

O sol lá fora estava lindo.


Sobreviver

Com elegancia,

É brio.

Ser-se

 Por si só, é quanto baste. Sejam!

A verdade

 Acima de tudo, não tem espaço para a mediocridade

Prometeram -lhe o tudo

Ela respondeu: 
-  não tenho o tudo de ninguém como destino... O tudo é pouco. Se algum dia tiver algo 
... Será o inteiro partilhado. Nem tudo, nem nada. Construção é o meu caminho.

Ela sorriu

Ele espantou-se,

Em agradecimento acompanhou-a,

Ela fez o seu habitual desvio e seguiu caminho.

O voo de Beija-Flor

 Começou.

Quando as pessoas de carne e osso...

 ... se comportam como algoritmos frios e limitados, são lições em forma de pessoas... não chegam bem a ser gente.

Brilho nos olhos

 É a coisa mais linda que podemos encontrar em alguém. Vão por mim!

(não me refiro a lágrimas de crocodilo)

Amor IV

Nunca ter medo de amar não é vulnerabilidade, é pureza de espírito.

Amar não é fraqueza! 


O abraço

 Foi no abraço de um velho amigo, no colo da sua família que percebi ... tudo o que preciso, está aqui dentro.

A obra

 Ela concluiu uma obra... e o peso saiu-lhe de cima.

 O volume e o peso já estão para fora do peito.

Celebrou sozinha, 

tal como a executou.

(Foi ontem às 16h em ponto)

Ruído

 Ela pediu pouco barulho mas ninguém entendeu.

Chá de Ceilão

(e está tudo dito)

Ela foi subestimada

 E foi o fim.

A validação

 Está sobrevalorizada.

Ele tinha medo

 Ela não.

Ela ofereceu o mundo

 mas ele agarrou-se à fronteira.

Ela tinha um peso

 Que transbordou para fora de si... e voou.

Lágrimas II

A minha mãe chorava porque a bolacha Maria, depois de mergulhada no café, às vezes partia-se. Hoje entendo muito bem essas lágrimas. Que não se desvaloriza o impacto do partir da bolacha Maria!

Adormecer a dor

Não vale a pena, a dor e a alegria pertencem-nos, é encarar ambas de frente e mente aberta. 

A dor e a alegria não são para serem adormecidas, são para serem vividas em nós, por nós e não devem depender de ninguém. São nossas. (O resto são desculpas)


Dormir III

Dormi nove horas e não sei bem se acordei. 

Sal

 Calma...Põe umas pedrinhas de Sal. 

(Homenagem a quem partiu cedo demais e que dizia sempre com um sorriso... calma, põe umas pedrinhas de Sal.)


 Ca fé. 

Oásis de Espelhos

 A clareza é o que nos salva.

Quando te derem luz

 Não abras só uma brecha... abre as janelas, as portas e o telhado. Escancare-se a vida. A dor já a conhecemos, é dar oportunidade à luz!

Urgências

Urgente é viver com calma e degustar. 

Não há nada que mereça mais pressa... que a calma. 

Acalmem-se! 

(anda tudo com tanta pressa)

Dormir II

 Sobre as memórias boas, é dormir bem.

O que fica após a morte

Da matéria nada,

Mas na memória, mantemos viva a memória de quem nos tocou.

Eu acho que os cemitérios deviam ser sítios coloridos de pessoas festejadas... são sítios despejados de afecto... só transmitem dor.

O espelho



Na pupila de um estranho,
Colhi o abraço que me era devido.

No rastro de um estranho,
O resgate de quem sou, e existo.

Ao olhar de um estranho,
A sagração do que é simples:

Um sorriso que se faz abrigo,
Uma presença que não se ausenta,
Uma mão que, ao dar, me abranda.

O regresso

Regresso feliz 

Um abraço, que fosse apenas silêncio e chão,
Onde tivesse de provar nada,
nem a minha voz de defender alguém,
Sem causas nem explicações
Um abraço seguro,
limpo de cobranças,
livre,
que me dissesse nos olhos:
"Despe as armaduras!
deixa que sejas mulher, existe só. Basta"

Lágrimas

Foram choradas três:
Uma pela entrega (profunda), 
outra pela rejeição (o muro), 
e a terceira pela libertação (lição).

Riquíssimo Príncipes

E assim ficaram os "Riquíssimos" príncipes...
As suas mãos vi — cravejadas de espinhos —
Das rosas que eram para mim.
Mas eu? Rosas gosto no jardim.
E os espinhos...
Se é para doer, que seja;
Mas nunca pelo efémero,
E parti.
E ali ficaram as promessas
De palácios de cristal.
Mas brilho nos olhos não lhes vi,
E esse brilho não se compara
Ao de um qualquer brilhante.
E parti.
Um ofereceu-me um repasto,
Uma mesa infinita,
Cheia do que há — e do que ainda não existe.
Mas eu como pouco;
Por isso,
Com migalhas me contento.
Conhecendo isso em mim...
Fugi.
E ali os vi, ao longe,
De passadeiras aos pés
E aviões dourados com destinos conhecidos.
Mas eu prefiro voar
No dorso de uma ave
Que no seu corpo encerre
Todos os céus e todos os mares.
E escolhi.
Aos príncipes agradeci
O Tic-Tac dos seus relógios,
Que marcava a urgência
Da resposta que vinha de mim.
Caros príncipes:
Seus reinos são belos,
Os palácios de sonho...
Mas prefiro sonhar acordada
Que adormecer de ilusões.
Caros príncipes:
Eu sou feita de água, de fogo e de terra.
Só repousarei no abraço
De quem me liberte para o voo mais alto,
Mas que me ampare
A uns segundos do chão.
Meus príncipes,
As vossas histórias são belas.
Mas...
Eu...
Não sou um conto de fadas.

Dormir

 Sobre o assunto...

Luz

 Que o sol também brilha no mar. (Atenção aos detalhes)